10 mulheres que marcaram a arquitetura no mundo

No Dia Internacional das Mulheres, homenageamos dez arquitetas que fizeram história com suas obras

Lina Bo Bardi

Completando a grande maioria de seu trabalho no Brasil pós-guerra, apesar de extremamente famosa no nosso país, a arquiteta italiana Lina Bo Bardi foi ofuscada pela obra futurista de seus pares, como Oscar Niemeyer. No entanto, ficou famosa por uma arquitetura que protagoniza as pessoas em seu trabalho, criando uma bela arquitetura que é amada por seus habitantes.

Nascida em 1914, Lina se formou na Escola de Arquitetura de Roma em 1939. Após sua graduação, ela se mudou para Milão onde começou sua prática em 1942; no entanto, mais tarde seu escritório foi destruído por um ataque aéreo. Isto, combinado com a falta de encomendas devido à guerra, causou-lhe explorar outras áreas de seu trabalho, e em 1943 ela foi convidada para se tornar diretora da revista Domus.

Bo Bardi se mudou para o Brasil em 1946, onde se tornou uma cidadã naturalizada cinco anos depois. Em 1947, foi convidada para criar o Assis Chateaubriand Museu de Arte de São Paulo (MASP), que se tornou um dos museus mais importantes da América Latina. Seus projetos tinham muitos elementos radicais, incluindo o que são consideradas as primeiras cadeiras modernas do Brasil.

Em 1948, ela criou o Studio d’Arte Palma com outro arquiteto italiano, que buscava a concepção de mobiliário de madeira compensada e materiais “típicos” brasileiros. Em 1951, ela completou a Casa de Vidro, a sua residência privada, que se tornou uma peça central do modernismo no Brasil. Em 1958, recebeu um convite para se mudar para Salvador para executar o Museu de Arte Moderna da Bahia, ao retornar a São Paulo depois de um golpe militar, em 1964, seu trabalho passou a uma grande simplificação, tornando-se o que ela descreveu a si mesma como “arquitetura pobre”.

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Zaha Hadid

Nascida em Bagdá, no Iraque, Zaha Hadid, atualmente com 62 anos, foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Pritzker de Arquitetura pelo conjunto de suas obras. Entre as que mais se destacaram estão: Vitra Fire Station (1993 – Alemanha ), Centro Rosenthal de Arte Contemporânea (1998 – EUA), o Terminal Hoenheim-North & Estacionamento (2001 – França) e Bergisel Ski Jump (2002 – Áustria).

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Kazuyo Sejima

É uma expoente da arquitetura contemporânea e tem desenhado alguns dos trabalhos mais inovadores construídos recentemente ao redor do mundo. Possui uma lista de projetos notáveis, incluindo o New Museum of Contemporary Art, em Nova York (EUA), e o Serpentine Pavilion (foto), em Londres, Inglaterra. Ela e seu parceiro, Ryue Nishizawa, compartilharam o Pritzker 2010. (Shibaura House – Foto)

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Marion Mahony Griffin

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Marion Mahony Griffin não era apenas uma das primeiras arquitetas licenciadas do mundo, mas também a primeira a trabalhar para Frank Lloyd Wright.

Nascida em 1871, ela estudou arquitetura no Instituto de Tecnologia em Massachusetts. Após finalizar seus estudos, começou a trabalhar com seu primo em 1894, que passou a partilhar um edifício com outros arquitetos, inclusive Frank Lloyd Wright, quem contratou Mahony em 1895. Por ser sua primeira empregada, Mahony exerceu considerável influência no desenvolvimento do estilo Prairie, enquanto suas representações em aquarela se tornaram sinônimo da obra de Wright. Como era típico de Wright na época, ela não levou nenhum crédito por isso.

A parceira acabou em 1909 quando Wright foi para a Europa, o qual ofereceu as comissões de seu estúdio para Mahony que recusou. No entanto, ela foi contratada em seguida pelo sucessor de Wright, sob a condição de que teria todo o controle de seus projetos.

Em 1911, casou-se com Walter Burley Griffin, que também trabalhou com Wright. Os dois determinaram uma prática juntos e, não muito depois, venceram o concurso para projetar a nova capital australiana, Canberra. Mudaram-se para a Austrália para supervisionar o projeto e, logo em seguida, mudaram-se para a a Índia onde continuaram a trabalhar até a morte de Griffin em 1939. Após o falecimento de seu marido, Mahony encerrou sua carreira de arquiteta e veio a falecer em 1961.

Jeanne Gang

Um dos trabalhos mais representativos de Gang foi o Aqua Tower (foto), em Chicago, com 82 andares. Em todos seus projetos, explora o território criativo de novos materiais, tecnologia e sustentabilidade. É diretora e fundadora da Gang Architects Studio, uma empresa de arquitetura em Chicago (EUA).

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Lilly Reich

Muitas das obras famosas de Mies Van der Rohe, particularmente na área do design de interiores, não seriam possíveis sem esta mulher. É dito que Mies raramente pedia a opinião de outras pessoas, mas sempre escutou o que ela dizia.

Nascida em Junho de 1885 em Berlim, Reich mudou-se para Viena após completar seus estudos do primeiro grau para aprender a ser uma espécie de costureira industrial. Ao retornar para Berlim em 1911, trabalhou como designer de moda e de mobiliário e se uniu a Deutscher Werkbund – uma organização alemã de trabalho – tornando-se a primeira diretora em 1920.

Seu trabalho como uma designer levou-a a Frankfurt, onde ela conheceu Mies Van der Rohe. Os dois se tornaram muito próximos e ela começou a trabalhar em seu escritório. Em 1928, os dois foram apontados como diretores artísticos do pavilhão alemão para a Exposição Mundial de Barcelona, o que resultou no icônico pavilhão de Mies, considerado como uma das obras mais emblemáticas e definidoras do modernismo. Logo após isto, Mies indicou Reich como diretora de construção/detalhamento na escola Bauhaus, da qual ele era responsável na época. O trabalho de Reich foi encerrado muito brevemente pois a escola foi fechada em 1933 devido ao movimento nacional socialista.

Após o período de guerra, aceitou um emprego para lecionar sobre design de interiores e edificação na Universidade de Artes de Berlim. Ela também participou de encontros para tentar reviver a Werkbund, mas faleceu em 1947, três anos antes da organização ser legalizada. (Foto – Pavilhão de Barcelona – Ludwig Mies van der Rohe – autor & Lilly Reich – co-autora)

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Charlotte Perriand

Ao estudar design de mobiliário em Paris, Charlotte Perriand se candidatou a uma vaga no escritório de Le Corbusier em 1927. Ele a descartou dizendo: “Nós não bordamos almofadas aqui”. No entanto, quando ela foi convidada para expor sua reforma de um apartamento no Salon d’Automne, Le Corbusier percebeu seu trabalho – ficou tão impressionado que ofereceu a ela um trabalho.

Um ano após ingressar no escritório de Le Corbusier, Perriand projetou três das cadeiras mais icônicas, a B301, B306 e a LC2 Grand Comfort, agregando um pouco de caráter humano à obra racional do arquiteto.

Conforme a opinião de Perriand foi tornando-se policamente de esquerda nos anos 1930, ela foi se envolvendo em muitas organizações de esquerda, fundando a Union des Artists Moderns em 1937. Simultaneamente, seus projetos começaram a ser mais acessíveis economicamente, usando madeira ao invés de superfícies cromadas. Ela começou a desenvolver móveis funcionais e baratos para as massas.

Em 1940, Perriand foi convidada para ir ao Japão para se tornar uma conselheira do Ministério do Comércio e da Indústria. Dois anos depois ela foi forçada a deixar o país devido à guerra. Apesar de retornar à Europa, ela foi detida por um bloqueio naval e forçadamente exilada no Vietnã. Lá, ela estudou design oriental, inclusive trabalhos de tecelagem e madeira, o que teve, mais tarde, grande impacto em sua obra.

Denise Scott Brown

Denise Scott Brown, junto com seu parceiro de Robert Venturi, teve uma enorme influência sobre o desenvolvimento do projeto arquitetônico, durante o século XX. Suas críticas são creditadas com a mudança na forma como muitos arquitetos e urbanistas olhavam para o modernismo e o desenho urbano em meados deste século. Muitos ficaram surpresos quando o marido foi galardoado com o Prêmio Pritzker em 1991, e ela não conseguiu receber uma menção.

Nascida em 1931, em Northern Rhodesia, Scott Browne estudou na África do Sul e depois em Londres. Em 1958, mudou-se para Filadélfia com seu primeiro marido, Robert Scott Browne, que morreu em um acidente de carro um ano depois.

Em 1960, Scott Browne concluiu seu mestrado em planejamento na Universidade da Filadélfia, onde ela se tornou um membro da faculdade, concluindo uma pós-graduação em Arquitetura logo em seguida. Foi neste momento que ela conheceu seu segundo marido e futuro parceiro, Robert Venturi.

Browne viajou por muito tempo com o intuito de estudar, o que provocou seu interesse nas jovens cidades de Los Angeles e Las Vegas. Ao retornar para Filadélfia para fazer parte do escritório de seu marido, em 1967, ela foi promovida a diretora de planejamento em 1969. Influenciando Venturi e o urbanista Steven Izenour com seu interesse por Las Vegas, a produzirem o livro “Aprendendo com Las Vegas”.

Anne Tyng

Uma teórica de destaque do século XX, Anne Tyng foi peça fundamental para os projetos de Louis Kahn, com quem ela teve uma filha.

Nasceu na China na década de 1920 e em 1942, tornou-se a primeira mulher a ser adimitida na Escola de Design de Harvard, onde teve aulas com Walter Gropius.

Após finalizar seus estudos, ela continuou a trabalhar para alguns escritórios em Nova York até se mudar para Filadélfia e, então, fazer parte do escritório de Kahn, Stonorov & Kahn. Quando o escritório se dividiu em 1947, ela continuou com Kahn. Embora nunca tenha projetado um edifício sozinha, graças à sua grande fascinação por geometria, tornou-se uma crítica da obra de Kahn. Alguns a descreviam como sua musa, Buckminster Fuller preferia chamá-la de “estrategista geométrica de Kahn”. Muitos dos projetos de Kahn retratam a influência de Tyng, como a casa Treton e a Yale Art Gallery, destacando a “City Tower” que foi praticamente de autoria de Tyng.

Fonte: archdaily.com.br / Exame

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